Godard não era paciente terminal. “Ele estava exausto. Escolheu morrer e queria que isso fosse do conhecimento de todos”

Jean-Luc Godard morreu “em casa, pacificamente”, em Rolle, na Suíça, na companhia de sua mulher, a cineasta Annie-Marie Miéville.

Jean-Luc Godard, um dos cineastas mais influentes do século 20, morreu em 13 de setembro de 2022, aos 91 anos, de morte assistida.

Godard “recorreu à morte voluntária” porque foi “acometido de múltiplas doenças incapacitantes”, declarou à imprensa o advogado da família, Patrick Jeanneret.

Godard, nascido em Paris em 1930, em uma família franco-suíça, vivia há décadas de modo recluso em Rolle, na Suíça.

Segundo uma fonte próxima à família, citada pelo jornal francês Libération, Godard não era paciente terminal. Ele “não estava doente, estava simplesmente exausto. Então ele escolheu acabar com isso. Essa foi sua decisão e era importante para ele que isso fosse do conhecimento de todos”.

Em 2014, no Festival de Cannes, numa entrevista à TV, quando lhe perguntaram sobre a morte, Godard disse que não desejava continuar vivo a qualquer custo. “Se estiver muito doente, não tenho nenhum desejo de ser carregado em um carrinho de mão… de jeito nenhum”, disse ele.

Questionado sobre se imaginava recorrer à morte assistida, Godard respondeu: “sim… por enquanto”, dizendo que a escolha “ainda era muito difícil”.

Ele morreu “em casa, pacificamente”, na companhia de mulher, a cineasta Annie-Marie Miéville.

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A morte voluntária assistida (MVA) é um direito civil ainda indisponível no Brasil.

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